Desde a mais remota antiguidade, já é possível contar a história da fotografia pois esta era executada através de experiencias feitas por químicos e alquimistas. Aproximadamente na época em que viveu Aristóteles na Grécia antiga, em torno de 350 a. C.,já era conhecido o fenómeno da produção de imagens pela passagem de luz por um pequeno orifício. Foi Alhazen, em 1539 quem fez a primeira descrição de uma câmara escura como método de observação de eclipses solares. Naquela época, a câmara escura consistia apenas em um quarto com um pequeno orifício aberto para o exterior.
Em 1550 Gardano adaptou uma lente biconvexa à anterior câmara escura, em 1568 Daniel Bárbaro adicionou um diafragma à lente biconvexa para melhorar a qualidade da imagem projectada no interior da câmara escura, em 1573 Danti adicionou um espelho côncavo à câmara escura para inverter a imagem obtida. Em 1676 Johann Sturm investigou um dispositivo pioneiro da câmara reflex já com um espelho colocado a um ângulo de 45º de modo a obter uma imagem perfeitamente invertida e em 1685 esse invento foi colocado num tubo com um tamanho reduzido que era munido de um conjunto de lentes.
Já se conhecia o escurecimento dos sais de prata, mas só no ano de 1604 o físico-químico italiano Ângelo Sala estudou o escurecimento de alguns compostos de prata pela exposição à luz do sol. Até essa época, conhecia-se o processo de escurecimento e de formação de imagens efémeras sobre uma película dos referidos sais, porem não se conseguia interromper esse processo. Em 1725 Johann Henrich Schulze, professor de medicina na universidade de Aldorf, na Alemanha, elaborou experiencias de fotossensibilidade com sais de prata e conseguiu uma projecção de uma imagem com uma duração de tempo maior, mas não conseguiu detectar o porquê do aumento do tempo, executou então imagens por contacto não permanentes. Continuando as suas experiencias, Schulze colocou à exposição da luz do sol contendo um frasco de nitrato de prata e examinou-o algum tempo depois, e percebeu que a parte da solução atingida pela luz solar tornou-se de coloração violeta escura. Notou também que o restante da mistura continuava com a cor esbranquiçada original. Sacudindo a garrafa, o violeta simplesmente desapareceu. Continuando, colocou papel de carbono no frasco e expôs ao sol e, passado algum tempo, ao remover os carbonos observou que existiam pequenas delineações efectuadas pelos sedimentos escurecidos e padrões esbranquiçados. Eram silhuetas em negativo das tiras opacas do papel. Schulze estava em dúvida se este facto se devia à luz do sol, ou ao calor. Mas com a finalidade de confirmar se era pelo calor refez a mesma experiencia dentro de um forno e concluiu que não ocorria nenhuma alteração. Consequentemente viu que era a presença da luz que provocava aquelas alterações. E finalizando as suas experiencias constatou que a luz do seu quarto era suficientemente forte para escurecer as silhuetas do mesmo tom dos sedimentos que as delineavam. Em 1777, o químico Carl Wilhelm Scheeke comprovou cientificamente o enegrecimento dos sais de prata devida à acção da luz.
Em 1800 Thomas Wedgwood realizou experiencias semelhantes às já efectuadas anteriormente. Colocou expostos à luz do sol algumas folhas de árvores e asas de insectos sobre papel e couro branco sensibilizados com prata e conseguiu silhuetas em negativo e tentou de diversas maneiras torná-las permanentes, mas não o conseguiu pois não tinha como interromper o processo e a luz continuava a enegrecer às imagens.
Schulze, Scheele e Wedgewood descobriram o processo onde os átomos de prata possuem a propriedade de possibilitar a formação de compostos e cristais que reagem suavemente e de forma controlável à energia das ondas de luz. Foi em 1805 que H. Davy realizou imagens de objectos por contacto dos mesmos sobre o cloreto de prata e exposição à luz. Porém, foi o francês Joseph-Nicéphore Niépce, em 1816, que obteve imagens com cloreto de prata sobre papel mas só em 1819, John Herschell descobriu o primeiro fixador de imagens em papel sensitizado, os tiossulfatos. Em 1822 Niépce conseguiu fixar uma imagem pouco contrastada sobre uma placa metálica, utilizando nas partes claras betume-da-judéia.
Só no verão de 1826, foi conseguida a primeira fotografia do mundo. Foi tirada da janela da casa de Niépce com uma máquina fotográfica criada por Alphonse Giroux e munida de uma objectiva acromática criada por Wallaston, e ainda se encontra preservada até hoje. Esta descoberta deu-se quando o francês pesquisava um método automático para copiar desenho e traço nas pedras de litografia. Ele sabia que alguns tipos de asfalto, entre eles o betume da Judéia endurecem quando expostos à luz. Para realizar o seu experimento, dissolveu em óleo de lavanda o asfalto, cobrindo com esta mistura uma placa de peltre. Colocou em cima da superfície preparada uma ilustração a traço banhada em óleo com a finalidade de ficar translúcida. Expôs ao sol que fez com que o asfalto endurecesse em todas as áreas transparentes do desenho que permitiram à luz atingir a chapa, porém nas partes protegida, o revestimento continuou solúvel. Niépce lavou a chapa com óleo de lavanda removendo o betume. Depois imergiu a chapa em ácido, este penetrou nas áreas em que o betume foi removido e as corroeu formando, deste modo, uma imagem que poderia ser usada para reprodução de outras cópias.
Niépce e Louis-Jacques Mandé Daguerre iniciaram as suas pesquisas em 1829 e só em 1835 foi lançado o processo chamado daguerreótipia. Este consistia numa placa de cobre polida e prateada, exposta a vapores de iodo, desta maneira, formava uma camada de iodeto de prata sobre si. Quando numa câmara escura e exposta à luz, a placa era revelada em vapor de mercúrio aquecido, este aderia onde havia incidência da luz mostrando as imagens. Estas, eram fixadas por uma solução de tiossulfato de sódio. A daguerreótipia não permitia cópias, apesar disso, o sistema de Daguerre se difundiu. Também em 1835, Fox Talbot apresentou os seus desenhos fotográficos copiados em papel sensitizado com cloreto de prata, e em 1839 H. Bayard fotografa pela primeira vez sobre papel revestido a cloreto de prata enegrecido e impregnado de iodeto de potássio e nesse ano foi usado pela primeira vez o termo “fotografia” por John Herschell.
Em 1839, O barão de Séguier desenvolveu uma câmara com apenas um terço do tamanho da de Giroux, munida de um fole para a objectiva. Ainda nesse mesmo ano, revistas periódicas “O panorama” e “Revista Literária” anunciam os trabalhos de Daguerre e Fox Talbot. J. W. Droper realiza em 1840 o primeiro retrato por daguerreotipia e J. Soleil cria o precursor do fotómetro. Em 1841 A. Claudet utiliza pela primeira vez luz vermelha como luz de segurança de laboratório.
Ainda em 1841, Fox Talbot criou a calotipia. O calótipo foi a primeira fase na linha de desenvolvimento da fotografia moderna, o daguerreótipo conduziria à fotogravura, processo utilizado para reprodução de fotografias em revistas e jornais.
Edmond Bequerel ensaia os primeiros passos da fotografia a cores através da heliocromia em 1848. Três anos depois Blanquart-Evrard apresenta as primeiras imagens impressas por revelação. Este processo consistia em conjuntos de operações para transformar a imagem latente, presente em uma emulsão ou filme, em uma fotografia.
Em 1853, M. Gaudin utilizou o cianeto de potássio como agente de fixagem para imagens registadas em sais de prata e fez as primeiras experiencias com gelatina como suporte de materiais fotossensíveis.
O primeiro rolo fotográfico contínuo foi patenteado em 1854 por A. J. Malhuish e J. B. Spencer. Após isto, em 1861, Clerk Maxwell obtém a síntese de cores por projecção múltipla e três anos depois é patenteado o primeiro dispositivo de fotografia animada, constituído por câmara e projector, criado por J. Dubosq.
Através de uma reacção com magnésio, resultou um flash de magnésio que foi apresentado em 1865 por W. White. Em 1881, W. Abney utiliza a hidroquimona como revelador, e Erneste Mach em 1884 utilizou pela primeira vez descargas eléctricas como fonte luminosa.
Em 1888, aparece a famosa câmara Kodak que naquela época era enviada juntamente com um filme de 100 exposições à própria Kodak para revelação e impressão, sendo devolvida depois ao fotógrafo devidamente carregada com um novo rolo.
Já em 1889 a empresa Zeiss começou a comercializar a primeira objectiva anastigmatica criada por Paul Rudolph. E em 1895 surge o primeiro modelo da câmara de bolso lançada pela Kodak que permite que o filme seja carregado à luz do dia. Após isto, em 1898, também a Kodak lançou a primeira câmara de fole rebatível sendo, por isto, muito mais compacta e fácil de transportar.
Em 1907, os irmãos Lumière apresentam o tão esperado procedimento para fotografia a cores, o processo autochrome e ainda neste mesmo ano, funda-se a sociedade portuguesa de Photographia. Devido à descoberta dos irmãos Lumière, a Kodak comercializou em 1928 o processo Kodacolor de impressão a cores. Um ano mais tarde, J. Ostermier produziu a combustão de um fio de alumínio no seio de um bolo folhado conduzindo ao aparecimento de um flash que mais tarde foi incorporado nas máquinas fotográficas daquela época.
Surgiu então o processo negativo-positivo da Agfacolor em 1939 e dois anos depois surgiram as primeiras placas de elevado poder resolvente que permitem ampliar (zoom) até 750 vezes a imagem original. E. Land introduziu o processo Polaroid de revelação quase instantânea em 1947. E em 1994 a Rank-Xerox divulgou o seu projecto de substituição dos hologenetos de prata por um sol de selénio, o qual permitiria revelações a seco facilitando muito a revelação comparando com o processo anteriormente utilizado.
Nos dias de hoje, a fotografia analógica está a ser progressivamente substituída pela fotografia digital. (ver fotografia analógica vs fotografia digital).